Construindo pontes na religião
Diálogo inter-religioso
Objetivos
- Contribuir para a reflexão pessoal sobre as nossas atitudes em relação à diferença
- Compreender a importância do diálogo e da compreensão mútua no relacionamento com os outros
- Definir o conceito de diálogo inter-religioso e identificar os seus protagonistas
- Refletir sobre o papel do diálogo inter-religioso no diálogo intercultural
Aprendizagens esperadas
No final da sessão os(as) participantes deverão ser capazes de:
- Distinguir entre linguagem primária e secundária na religiã
- Perceber os aspetos comuns do pensamento religioso e não religioso
- Tomar conhecimento das contribuições da religião para a Humanidade;
- Reconhecer a importância da perspetiva do outro, no que se refere a crenças, com o objetivo de obter compreensão;
- Compreender o papel que cada indivíduo desempenha na construção da paz e no diálogo inter-religioso.
Grupo-alvo
Nacionais
Adolescentes, adultos
Número de participantes: 12 – 20
Complexidade
Grau de experiência necessária - 2
Quantidade de trabalho necessário para preparar e implementar o cenário - 3
Custo estimado - 1
Duração
3h30m (com uma pausa de 15 minutos)
Espaço
Cadeiras (uma por pessoa) dispostas em forma de U.
Uma mesa para colocar os materiais.
Recursos
Videoprojector; Marcadores; Flipchart; Canetas; Cópia do material de apoio: Questionário “BINGO!” (anexo 1) – 1 por pessoa e Encenação “A Relíquia” (anexo 4) – 1 por grupo
Preparação
1. O(A) facilitador(a) imprime o questionário “BINGO!” para o jogo de apresentação (um por participante)
2. O(A) facilitador(a) imprime os cartões das citações e organiza-os por autor. Os cartões devem ser impressos e organizados citação (cartões A) e por autores (cartões B). O total dos cartões (A+B) tem de ser igual ao número de participantes.
3. Devem existir tantos cartões A como cartões B. No entanto, se o número de participantes for ímpar, deverão haver dois cartões A, o que significa que irão existir duas citações para o mesmo autor.
4. Para a dinâmica de grupo “A Relíquia”, o(a) facilitador(a) deve preparar 4 cartões para um máximo de 4 grupos de trabalho.
Para controlar o tempo, o(a) facilitador(a) deve utilizar um relógio ou um telemóvel com temporizador.
Desenvolvimento
Introdução
Apresentação da sessão – facilitador(a), participantes, objetivos e sequência (15 min.)
Jogo de apresentação dos(as) participantes: “BINGO!”
Passo 1 – O(A) facilitador(a) distribui um questionário “BINGO!” por pessoa
Passo 2 – O(A) facilitador(a) dá as seguintes instruções:
“Encontrem, na sala, pessoas que combinem com cada afirmação que têm nos vossos cartões. Cada pessoa que encontrar deve assinar perto da afirmação onde se encaixa. O grupo tem 10 minutos para cumprir a tarefa”.
Existem duas regras:
1. Cada pessoa apenas assina uma vez no mesmo cartão
2. O(A) participante não pode assinar o seu próprio cartão
Assim que recolher as 10 assinaturas gritar BINGO!
Atividades
Atividade 1: Citações e Autores (30 min)
Introdução:
Esta atividade visa induzir os(as) participantes em erro, pois as pessoas tendem a fazer associações baseadas em ideias preconcebidas, que muitas vezes não correspondem à realidade. Por exemplo, é fácil associar uma citação religiosa a um padre ou a um líder religioso; no entanto, essa frase pode ter sido dita por um(a) cientista. Pelo contrário, facilmente atribuímos o desenvolvimento da teoria do Big Bang a um cientista quando, na realidade, foi formulada por um religioso.
Assim sendo, os objetivos desta sessão são:
- Identificar e analisar os estereótipos associados às ideias de crenças religiosas (linguagem primária);
- Reconhecer aspetos comuns entre as várias religiões (linguagem secundária);
- Perceber aspetos comuns entre o pensamento religioso e o pensamento não-religioso;
- Tomar consciência da contribuição da religião para a Humanidade.
Condução:
- O(A) facilitador(a) pede a cada participante para tirar um cartão (A ou B)
- Posteriormente o(a) facilitador(a) pede aos(às) participantes que combinem a citação (cartão A) com o respetivo autor (cartão B)
- Quando todos os pares tiverem sido formados o(a) facilitador(a) pede a cada par que mostre a sua correspondência e explique ao grupo a razão da sua escolha. O(A) facilitador(a) pergunta ao grupo se é necessário fazer alguma alteração, ou se estão todos de acordo com a escolha.
- Em grupo o(a) facilitador(a) revela as soluções e organiza as citações e os autores de forma correta (cada frase com o seu respetivo autor).
Dicas para discussão:
- O contributo das diferentes religiões para o processo de civilização em diferentes áreas, que se pensam serem opostas à religião (ciências, educação, tecnologia, etc).
- O preconceito associado às crenças religiosas e o preconceito associado ao conhecimento empírico;
- A importância da consciência dessas associações e o seu impacto na forma como vemos o mundo;
- Os aspetos comuns a todas as religiões – fatores de união em vez de desunião e desacordo, nomeadamente:
- A consciência de não estar sozinho no Universo,
- A necessidade de encontrar respostas para as grandes questões e problemas da Humanidade,
- O desejo de alcançar harmonia, plenitude e paz.
Atividade 2: “A Relíquia” (2 h)
Introdução
Esta atividade visa confrontar duas correntes de pensamento divergentes mas coexistentes na sociedade atual: um pensamento fortemente religioso, por um lado, e um pensamento ateísta e secular, por outro. Trata-se de um choque cultural.
Neste sentido, os objetivos desta sessão são:
- Conhecer diferentes formas de pôr em prática as crenças religiosas;
- Analisar o impacto dessas práticas no relacionamento com o outro e no acesso aos direitos e liberdades;
- Discutir formas de negociação e diálogo.
Condução
1º passo (1 hora)
O(A) facilitador(a) organiza 4 grupos de trabalho. A cada grupo é entregue o texto “A Relíquia”. O(A) facilitador(a) orienta o grupo para analisar o caso apresentado de acordo com as questões que estão na folha do exercício. Os 4 grupos trabalham de forma independente. Em cada grupo os(as) participantes discutem o caso entre eles. Em plenário, cada grupo apresenta o seu trabalho (40 min).
O(A) facilitador(a) orienta a discussão em grupo tendo em conta os seguintes aspetos (20 min):
a. O que fariam se fossem o personagem (Eduardo)?
b. Concorda com a atitude dos utilizadores do eBay?
c. Então, vamos analisar mais aprofundadamente esta questão: o que é uma relíquia? Qual o seu significado? Qual é o impacto da opção adotada pelo(as) diferentes personagens.
2º passo (20 min)
O(A) facilitador(a) convida os(as) participantes a reavaliar o caso à luz das novas questões:
- O que aconteceu? (desconstruir os passos de cada personagem – Eduardo, utilizadores, eBay);
- Qual a posição que assumiram? (Eduardo, utilizadores, eBay)
- O que move (os)as personagens (Eduardo, utilizadores, eBay)
Dicas para discussão:
Comportamentos diferentes = ausência de compreensão = choque cultural
O choque cultural é uma reação de estranheza à diferença do outro, de frustração ou rejeição, de revolta e ansiedade, uma experiência emocional e intelectual.
Este choque pode ser positivo, mas também pode ser uma fonte de conflito se os(as) envolvidos(as) não tenham conhecimento dos valores e hábitos culturais do outro, bem como dos seus próprios.
Todas as pessoas estão confortáveis com as suas próprias crenças. A forma como reagimos ao “choque” irá permitir-nos alcançar o diálogo ou o não diálogo.
Estamos cientes de como nossa identidade cultural pode influenciar a ação?
3º passo (20 min)
O(A) facilitador(a) pede aos(às) participantes para reavaliar este choque cultural de maneiras diferentes – Caminhos para o diálogo. O(A) facilitador(a) pede aos grupos de trabalho que pensem em termos de diálogo para alcançar uma solução para este caso.
Dicas para alcançar o diálogo
- Movimento de aproximação – ex. os utilizadores sugerem um local apropriado para vender a relíquia;
- Explicação dos motivos de cada personagem – ex. os utilizadores explicam com um maior detalhe o valor da relíquia;
- Proposta de soluções para um compromisso – ex. Eduardo vende a relíquia aos utilizadores.
4º passo (20 min)
O(A) facilitador(a) convida os(às) participantes a pensar na sua vida diária e a tentar fazer o paralelismo entre esta atividade e a realidade:
- Como vê este caso aplicado à sua vida diária? (peça exemplos)
- Como comunicar em caso de choque cultural? Exemplos: o uso do lenço muçulmano; burca; vacinação; comida;
- Aspetos onde a religião tenha uma influência negativa – exemplos: luto, punição, transfusão de sangue, vacinação;
- Aspetos onde a religião tenha uma influência positiva – exemplos: encontrar um significado para a vida, sensação de pertença a um grupo, evitar a solidão;
- É importante perceber que não existe uma “solução” única para as diferentes problemáticas (por exemplo, a história discutida não pretendia levar a nenhuma ideia determinada). Existe um dilema e existem diferentes posições, sensibilidades e atitudes possíveis.
A partir do momento em que alcançamos esta consciência, os(as) participantes compreendem que é necessário ter abertura de espírito, que o processo de pensamento é complexo e que, talvez, o maior instrumento para o diálogo inter-religioso seja a empatia.
Atividade 3: “Quem são os protagonistas do diálogo inter-religioso” (15 min)
O(A) facilitador(a) pergunta ao grupo “Quem pensam que são os protagonistas do diálogo inter-religiosos? Líderes religiosos? Políticos?”
Posteriormente o(a) facilitador(a) informa que todas as pessoas, das mais diversas profissões, idades, origens, histórias, crenças, etc. podem ser importantes para o diálogo inter-religioso. Não depende apenas dos políticos, sacerdotes ou pessoas famosas, é uma questão de todos.
Na verdade, às vezes é mais fácil ser alguém desconhecido para ser ouvido e seguido, do que ser alguém com mais responsabilidades.
O(A) facilitador(a) apresenta o diapositivo da citação de Amin Maalouf (2009), Disordered World (Annex 5).
Debriefing
Em grupo o(a) facilitador(a) revê as várias atividades, sublinhando os aspetos mais importantes e convidado os(as) participantes a refletir sobre as principais lições aprendidas.
Uma vez que no final de cada atividade foi realizado um resumo, neste momento é apenas preciso fazer as conexões necessárias e consolidar a aprendizagem.
Da Atividade 1 é importante referir os aspetos comuns a todas as religiões, que são fatores de união em vez de desunião e discórdia. Isto significa entrar no conceito de religião, passando do superficial para o profundo, da linguagem primária para a linguagem secundária.
O(A) facilitador(a) explica que a linguagem primária da religião compreende os conceitos, princípios, histórias, e outras formas de ensino e expressões que são especificas a um grupo de fé particular. Existem formas significativas de transmitir as nossas verdades espirituais e religiosas, mas elas também podem ser mal interpresadas ou podem causar desconforto para os adeptos de outras tradições ou caminhos espirituais.
A utilização da linguagem primária pode ser ouvida pelos outros como um desafio direto para os seus próprios entendimentos religiosos, ou até mesmo invocar memórias de inimizade histórica ou polémica entre certas comunidades. Por exemplo “Jesus Cristo é o filho de Deus”.
No que se refere à segunda atividade, “A Relíquia”, o(a) facilitador(a) realça a importância de ter uma mente aberta e relembra as dicas para alcançar o diálogo que foram referidas no final da atividade. Posteriormente, pergunta aos(às) participantes se consideram estas duas atividades complementar ou, se pelo contrário, levam os(as) participantes em direções opostas. Importa ainda referir que, apesar de terem valores e aspetos comuns, tal como a Atividade 1 demonstrou, a religião e as crenças também têm particularidades, tradições e práticas que as diferenciam, pelo que o diálogo inter-religioso é fundamental para a coexistência pacifica.
Para concluir, a mensagem de Amin Maalouf é importante porque introduz as necessidades da civilização (“pedagogia habilidosa, legislação apropriada e instituições apropriadas”). A educação é fundamental para “superar o preconceito e o ódio” e cada um de nós é uma peça importante para esta construção. A mensagem final deve sublinhar que não é preciso ser um líder ou uma pessoa famosa para contribuir para o diálogo inter-religioso. Todos podemos fazer isso. Estar consciente das diferenças e obstáculos que possam surgir e tentar encontrar uma solução, em vez que julgar os outros como supersticiosos, tolos ou pessoas más. (15 min)
Instrumentos de apoio
− Folha de presenças;
− Anexos (indicados abaixo);
− Método de avaliação: Os cinco dedos da mão: (15 min)
- Dedo polegar: O que gostei?
- Dedo indicador: O que quero apontar (bom ou mau)?
- Dedo do meio: O que não gostei?
- Dedo anelar: A minha relação com o grupo?
- Dedo mindinho: O que soube a pouco?
Inspiração
Livros:
Raja Sheadeh (2007). Palestinian Walks. Notes on a Vanishing Landscape.
Shafique Keshavjee (1998). The King, the Wise Man and the Fool - The Great Tournament of Religions.
Amin Maalouf (1984). The Crusades Through Arab Eyes.
Ideias para ação
- Sugira que ao viajar tentem conhecer as diferentes perspetivas religiosas
- Mostre os diferentes calendários religiosos
- Sugira criar uma secção na biblioteca com livros, revistas, filmes e materiais que permitam conhecer e entender as diferentes religiões
ANEXOS
Criado pela Make it Better
ITE
Social-educational initiative centre PLUS
sei.plius@gmail.com
Make it Better
info@mibworld.org
Ecos do Sur
ong@ecosdosur.org
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